domingo, 12 de abril de 2015

Preocupante retrocesso

Preocupante retrocesso

Chico Viana
Os números sobre o desempenho dos candidatos na redação do Enem 2014 são preocupantes. Apareceram 529.374 zeros (8,5% dos candidatos), bem mais do que no ano anterior (105,7 mil). 248.471 redações foram anuladas. A média caiu 9,7% em relação a 2013.

Como ocorre sempre que se divulgam resultados desse tipo, procura-se agora apontar as razões para o fraco desempenho dos alunos. Uns culpam a escola; outros responsabilizam os estudantes, que leem cada vez menos; houve até quem atribuísse a má performance ao tema ("Publicidade infantil em questão no Brasil"), que foi pouco discutido se comparado com o da Lei seca.

Não é surpresa para ninguém que a escola desempenha mal o seu papel quando a tarefa é ensinar a escrever. A maior parte dos alunos que se submetem ao Enem frequenta instituições públicas, que não raro se veem às voltas com problemas de infraestrutura e corpo docente. Nas escolas que escapam a esse tipo de problema utiliza-se uma metodologia por vezes inadequada, com pouca cobrança de leituras e uma avaliação insuficiente.

Para escrever bem é preciso ler e treinar muito. O processo de correção não pode se limitar à atribuição de uma nota, deixando-se de lado as falhas evidenciadas no texto. A discussão sobre o que nele "não funciona" demanda necessariamente os exercícios de refeitura, que vão esclarecer os alunos sobre os erros e evitar que se repitam.

Além disso as aulas de redação tendem a se concentrar no ensino de gramática, e muitas vezes fora da perspectiva textual. Ensina-se a gramática pela gramática, enfatizando a nomenclatura e tomando como exemplos frases isoladas. É claro que isso não motiva nem orienta o aluno para o trabalho de estruturação, que vai muito além de classificar períodos.

Quem diz que os maus resultados se deveram ao fato de o tema ser desconhecido, ou pouco comentado pela mídia, esquece que a produção de um bom texto depende sobretudo de técnica. Não há temas fáceis ou difíceis quando o redator sabe o que fazer. O importante é que envolvam aspectos relevantes para a vida em sociedade e sejam objeto de muito exercício.
Segundo Jessé Corrêa, um dos alunos que obtiveram 1000, "chegar na prova com um tema que já foi debatido, pensado, argumentado e desenvolvido é um trunfo gigante, tanto no tempo da prova quanto na própria argumentação diferenciada".

Para tornar o mais possível objetiva a correção, o Enem deixa claro o que espera do aluno em cada parágrafo. Cabe a ele, com a ajuda do professor, praticar segundo os parâmetros indicados pelos organizadores. Isso pode levar a algum bitolamento no formato das redações, mas é fundamental para assegurar a retidão do processo.

O dado que mais chamou a atenção nos números divulgados foi a quantidade de redações anuladas. Fuga ao tema (217.339) e cópia dos textos motivadores (13.039) foram as razões mais comuns para a anulação. O tema, conforme o Guia do Participante 2013, "constitui o núcleo das ideias sobre as quais a tese se organiza" (p. 15) e deve ser cuidadosamente observado para que a redação tenha unidade. Foge-se a ele, na maioria das vezes, devido à falta de compreensão da proposta.

Para evitar isso, é preciso ler com muita atenção os textos motivadores. Eles não só delimitam o tema, como podem ser aproveitados para construir a argumentação. Também constituem boas fontes de ideias, tanto que o guia instrui o candidato a escrever seu texto "a partir deles". Entendê-los bem evita que o aluno se perca em atalhos que nada têm a ver com o que foi pedido.

Na versão 2013 do Enem, provas com setenta a oitenta por cento de cópia receberam notas que deixavam os candidatos com chances de concorrer a uma vaga no Sisu. Na edição passada do exame houve maior rigor quanto a isso, o que também explica o aumento no número de anulações e, consequentemente, de zeros.

Outras razões para a anulação, segundo o MEC, foram "texto insuficiente, não atendimento ao tipo textual indicado, partes desconectadas e textos que 'ferem' os direitos humanos (além de outros motivos não divulgados)". As falhas refletem um despreparo antigo, que aparece em indicadores como a Prova Brasil.

Essa prova, como se sabe, mede o desempenho em português e matemática de alunos da 5ª à 9ª série do ensino fundamental. Em sua última versão, ela mostra que é justamente no 9º ano que os resultados mais se distanciam das metas estabelecidas pelo MEC. Às vésperas de iniciar o ensino médio, 40% dos alunos não conseguem identificar o tema principal de um poema ou a moral de uma fábula. Como chegarão no curto espaço de três anos a compreender um tema de redação, saber em que modalidade ela deve ser escrita, desenvolvê-la de forma conexa e atender aos requisitos éticos e pragmáticos exigidos pelo Enem?


Na resposta a essa pergunta pode estar a explicação para os 529.374 zeros. Como diz Ruben Kleins, membro da Academia Brasileira de Educação, "o ensino médio só vai melhorar quando resolvermos (os) problemas nos anos finais do fundamental". 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Leitura X Escrita



A escrita depende necessariamente da leitura, pois, não conseguimos produzir sem conhecimento. E conhecimento só se consegue com esforço, determinação e a leitura faz parte de todo esse processo, para tanto, começarmos aos poucos é interessante, mas precisamos começar... produzir textos não é fácil porém, também não impossível! Então vamos ler!



















quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Na terra do "Se"

Na terra do “Se”
Se quem luta por um mundo melhor soubesse que toda revolução começa por revolucionar antes a si próprio.
Se aqueles que vivem intoxicando sua família e seus amigos com reclamações fechassem um pouco a boca e abrissem suas cabeças, reconhecendo que são responsáveis por tudo o que lhes acontece.
Se as diferenças fossem aceitas naturalmente e só nos defendêssemos contra quem nos faz mal.
Se todas as religiões fossem fiéis a seus preceitos, enaltecendo apenas o amor e a paz, sem se envolver com as escolhas particulares de devotos.
Se a gente percebesse que tudo o que é feito em nome do amor ( e isso não inclui o ciúme e a posse) tem 100% de chance de gerar boas reações e resultados positivos.
Se as pessoas fossem seguras o suficiente para tolerar opiniões contrárias às suas sem precisar agredir e despejar sua raiva.
Se fossemos mais divertidos para nos vestir e mobiliar nossa casa, e menos reféns de convencionalismo.
Se não tivéssemos tanto medo da solidão e não fizéssemos tanta besteira para evitá-la.
Se todos lessem bons livros.
Se as pessoas soubessem que quase sempre vale mais a pena gastar dinheiro com coisas que não vão para dentro do armários, como viagens, filmes e festas para celebrar a vida.
Se valorizássemos o cachorro-quente tanto quanto o caviar.
Se mudássemos o foco e concluíssemos que a infelicidade não existe, o que existe são apenas momentos infelizes.
Se percebêssemos a diferença entre ter uma vida sensacional e uma vida sensacionalista.
Se acreditássemos que uma pessoa é sempre mais valiosa do que uma instituição: é a instituição que deve servir a ela, e não o contrário.
Se quem não tem bom humor reconhecesse sua falta e fizesse dessa busca a mais importante da sua vida.
Se as pessoas não se manifestassem agressivamente contra tudo só para tentar provar que são inteligentes.
Se em vez de lutar para não envelhecer, lutássemos para não emburrecer.
Se.
(Martha Medeiros)

A educação

A educação é frágil, porém precisamos fortalecer a suas bases para que consigamos melhorar o nosso corpo discente e também o docente, para que no futuro tenhamos escolas mais bem preparadas e seres mais bem estruturados emocionalmente e também intelectualmente.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Os fumantes e o trabalho

Os fumantes e o trabalho

Fica mais difícil conseguir trabalho. Mas discriminar o fumante é socialmente injusto
por Drauzio Varella — publicado 21/09/2014 Carta Capital 10:03


Shutterstock
Fumantes
88% dos que fumam tornam-se dependentes antes dos 18 anos
Justificativas para deixar de contratar fumantes não faltam: em média, eles elevam os custos dos contratos com os planos de saúde, apresentam índices mais altos de absenteísmo e produtividade mais baixa.
Em 2008, a Organização Mundial da Saúde (OMS) introduziu a recomendação de contratar apenas não fumantes, como estratégia de constrangimento para abandonar o cigarro.
Grandes organizações de saúde americanas, como Cleveland Clinic e a Universidade da Pensilvânia, adotaram essa política com o argumento de que seus empregados devem servir de exemplo para a comunidade. Veladamente, resoluções semelhantes têm sido implantadas em outras companhias.
De início justificadas para proteger contra o fumo passivo, medidas como essas estigmatizaram o fumante. Embora haja desacordo sobre o emprego de estigmas em nome de “boas causas”, eles contribuíram de fato para reduzir a prevalência do fumo.
Na Cleveland Clinic, a proibição de fumar no campus foi adotada em 2005 e a da contratação de fumantes em 2007. A prevalência de fumantes em Cuyahoga (onde a clínica está situada) caiu de 20,7%, em 2005, para 15%, em 2009, enquanto no restante do estado de Ohio a diminuição foi de 22,4% para 20,3%. A questão fundamental é se políticas desse tipo são elaboradas com o objetivo de reduzir o número de dependentes ou para estigmatizar e excluir os fumantes dos empregos, por razões puramente econômicas?
Parece paradoxal que instituições dedicadas ao tratamento de doenças para as quais o comportamento certamente contribui (diabetes, hipertensão arterial, Aids etc.) discriminem dependentes de nicotina.
Regras para alijar os fumantes do mercado de trabalho não levam em consideração o fato de que 88% deles se tornam dependentes antes dos 18 anos; de que a nicotina causa a dependência mais escravizadora que a medicina conhece; e que embora mais de 80% dos fumantes digam que pretendem largar, apenas 2% a 3% dos que tentam conseguem passar um ano longe do cigarro. Políticas discriminatórias agravam desigualdades sociais. Como outras epidemias, a do fumo deslocou-se para os estratos mais pobres da população. Negar trabalho ao fumante perpetuará injustiças que a sociedade brasileira tem procurado corrigir.
Avançamos muito na educação e nas medidas de combate ao cigarro. Na década de 1960, mais de 60% dos brasileiros com mais de 15 anos fumavam. Hoje, somos de 15% a 17%, conforme as estatísticas. Fumamos menos do que os norte-americanos, e também menos do que na Noruega, França, Alemanha, Itália e demais países europeus, com exceção da Suécia (12%).
Esses resultados foram obtidos por meio de estratégias educativas divulgadas pelos meios de comunicação e da legislação antifumo, que infelizmente ainda padece de timidez acovardada.
Empregadores que escolhem apenas funcionários não fumantes prejudicam as populações mais vulneráveis, colaboram para aprofundar desigualdades e se comportam de forma pouco ética.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Pensar...

PENSAR É TRANSGREDIR

Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.
Lya Luft

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A harmonia do dia a dia...

Não me importa ser aceito,
Seja qual for o meu defeito, muito menos seu conceito
O que há em mim não será desfeito, o meu jeito, meu efeito.
... Porque sou mesmo imperfeito... Tá ouvindo seu sujeito?
Seja gordo, seja magro, seja negro, seja branco
Seja alto, seja baixo, seja rico, seja pobre
Seja gay, seja hétero, seja ateu, seja cristão
Seja você mesmo, para sempre satisfeito.
Ame a vida, CARPE DIEM
Assuma todo o seu direito,
Diga NÃO ao preconceito.
Bata no seu peito,
Todos unidos, todos guerreiros, brasileiros...
Ô abre alas, para o Respeito!


Ítalo Meira

  Professora lista 5 dicas para não se perder na hora de estudar atualidades Querer estudar cada desdobramento de cada grande acontecimento ...