sexta-feira, 10 de julho de 2020

Vamos ler...


‘Cidadão não, engenheiro’: elites e autoritarismo no Brasil
A historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz fala ao ‘Nexo’ sobre a fraca concepção de cidadania que domina parte da sociedade brasileira
Juliana Domingos de Lima
07 de jul de 2020

O programa Fantástico, da rede Globo, exibiu no domingo (5) uma reportagem sobre a inspeção de bares e restaurantes, estabelecimentos que voltaram a funcionar com restrições no Rio de Janeiro em 2 de junho, após três meses fechados devido à pandemia do novo coronavírus. Os fiscais da Vigilância Sanitária monitoram o cumprimento das medidas de segurança contra a covid-19, condição para que os locais possam permanecer abertos.
Uma interação entre um casal e um fiscal da Prefeitura do Rio ocorrida na noite de sábado (4) e incluída na reportagem chamou a atenção. Sem máscara, na calçada de um restaurante na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade, um homem e uma mulher tentaram intimidar o fiscal Flávio Graça, superintendente de Inovação, Pesquisa e Educação em Vigilância Sanitária, Fiscalização e Controle de Zoonoses da prefeitura.
O cliente questionava a fiscalização, filmando o fiscal com um celular. Quando Graça se dirigiu ao homem chamando-se de “cidadão”, ouviu da mulher que o acompanhava: “Cidadão não. Engenheiro civil formado, melhor do que você”. Ela também diz ao fiscal que “a gente é que paga você, filho”, enquanto seu companheiro pede para “falar com o chefe” do servidor.
O caso ganhou repercussão e levou à demissão da mulher que aparece na filmagem pela empresa privada do setor de energia onde trabalhava, a Taesa. Na segunda-feira (6), a companhia emitiu uma nota na qual declara compartilhar da “indignação da sociedade em relação a este lamentável episódio”.
Uma reportagem do jornal O Globo publicada na segunda-feira (6) revelou que o engenheiro civil solicitou e recebeu uma parcela do auxílio emergencial de R$600, pago pelo governo federal a trabalhadores vulneráveis durante a pandemia. Uma das regras para ter direito ao benefício é ter renda familiar inferior a três salários mínimos (cerca de R$ 3.135).
A flexibilização da quarentena no Rio de Janeiro tem sido marcada pelo desrespeito às medidas impostas pela prefeitura para reduzir o risco de disseminação do novo coronavírus: receber apenas metade da capacidade de público, manter uma distância pelo menos dois metros entre as mesas, encerrar o expediente até as 23h e usar máscara, obrigatória por lei no estado. É permitido tirá-la somente no momento das refeições.
No primeiro dia de reabertura, o que se viu principalmente nas ruas do Leblon, bairro nobre da capital fluminense, foram aglomerações de pessoas sem máscara e o funcionamento de estabelecimentos para além do horário permitido.
A atitude dos frequentadores desses locais, assim como o episódio de intimidação do fiscal, são vistos pela historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz como parte de uma tradição que remonta à formação do país: a de pessoas de lugares sociais privilegiados se considerarem acima da lei.
Schwarcz é professora da USP, global scholar em Princeton e colunista do Nexo. Autora de livros como “Sobre o autoritarismo brasileiro”, ela falou ao Nexo na terça-feira (7) sobre os significados da frase dita ao fiscal no Rio, a raiz histórica desse tipo de comportamento e a noção de cidadania no país.
O que o episódio do casal que insultou um fiscal no Rio diz sobre as relações no Brasil?
LILIA SCHWARCZ Há uma classe média muito intolerante, que não respeita o Estado, que acha que está acima do Estado. A frase ‘cidadão não, engenheiro civil formado’ é muito reveladora sobre esse tipo de concepção de que o Estado é casa própria.
Ela é muito semelhante a uma espécie de ritual nacional, como diz um artigo clássico do [antropólogo brasileiro] Roberto da Matta, que é o ‘você sabe com quem está falando?’. Supostamente uma pergunta, ela é na verdade uma afirmação que devolve o lugar social [de quem a utiliza]. Ela diz ‘você é menos do que eu sou’.
Ao afirmar que o marido dela era engenheiro, a senhora quis dizer ao fiscal que o marido dela era superior – social, cultural e moralmente – ao fiscal que desempenhava o seu papel.
Você vê uma relação entre o privilégio e a desigualdade social no país?
LILIA SCHWARCZ Eu não acho que a frase fala da nossa desigualdade – fala lateralmente, mas ela diz muito mais da nossa concepção frouxa de cidadania. A cidadania é feita de direitos e deveres para o bem comum. Um engenheiro tem o mesmo dever para o bem comum, que é o Estado, do que um fiscal. Mas a desigualdade produz muita intolerância. Esse nosso déficit educacional produz um Estado pouco democrático. Então acho que fala mais da nossa democracia frouxa e incompleta.
Qual a origem histórica desse tipo de comportamento? Por que ele se perpetua?
LILIA SCHWARCZ O Brasil foi criado sob o signo da escravidão. Criou-se um país em que uma vasta parte da população tem que obedecer e uma minoria vai mandar. Nesse modelo colonial, poucos tinham poder sobre tudo e se acostumaram a ser os grandes mandões locais. Esse tipo de poder se perpetuou na Primeira República com os coronéis, que eram os grandes caciques locais, mandavam nas eleições, no voto, na vida, na morte.
E se perpetua nesse momento também, em que nós elegemos a maior ‘bancada dos parentes’ na Câmara, por exemplo. Essa bancada é composta por pessoas que pretendem se eternizar no poder. Pretendem criar locais de poder e de privilégio que são definitivos, absolutamente eternos, e que não passariam pelo escrutínio do Estado, do direito, da cidadania. Aquela frase revela muito da conformação autoritária da sociedade brasileira.
Qual a relação entre essa conduta de indivíduos e o autoritarismo da sociedade brasileira?
LILIA SCHWARCZ Foi um gesto autoritário daquela senhora. Ela pretendeu desmerecer uma pessoa que cumpria sua função fazendo referência a uma profissão que, no Brasil, sempre foi muito valorizada. Não é à toa que ela falou engenheiro. No Brasil, as famílias ricas nos séculos 19 e 20 destinavam uma pessoa para a medicina, outra para a engenharia e outra para a Igreja. O engenheiro sempre teve um diploma de doutor aqui no Brasil e, como diz Lima Barreto em ‘Os Bruzundangas’, doutor é um passaporte definitivo, você nem diz doutor em quê. Então ela está usando desse velho vocabulário social brasileiro.
Por que pessoas que ocupam uma posição mais elevada na hierarquia social tendem a crer que há regras que não se aplicam a elas?
LILIA SCHWARCZ Há um provérbio que já existia no Brasil colonial: ‘aqui, quem rouba pouco é ladrão, quem rouba muito é barão. Quem rouba mais e esconde chega logo a visconde’. É a ideia de que a lei não é para todos, a lei é só para o seu inimigo. Para os seus amigos, nada.
Essa é exatamente a circunstância. Como eu estou lá com os meus amigos, essa lei de evitar aglomerações, essa lei da máscara, diz respeito aos outros, não a mim, que sou uma pessoa de elite, que não preciso desse tipo de marca, ‘cidadão’.
É impressionante essa ideia de que a lei, as instituições e a cidadania são para os outros, para os que são ‘menos’, enquanto os mais privilegiados não precisam de nada disso. É uma concepção pífia de Estado, e que tem a ver com esse nosso governo atual, com o nosso presidente que não usa máscara, que incentiva aglomeração, que fala que a covid-19 é uma gripezinha.
Me preocupa muito não só o que o presidente acha, mas o que ele avaliza. Esse tipo de atitude tem muito do aval do nosso presidente.
Não é à toa que o engenheiro se define [em seus perfis nas redes sociais] como uma pessoa conservadora. O que é ser conservador? É conservar a covid-19? [risos] Ele quer conservar a pandemia? Vamos conservar tudo agora, a pobreza, a desigualdade e a pandemia também.
O que é cidadania? Como essa crença na própria excepcionalidade se choca com ela?
LILIA SCHWARCZ O termo ‘cidadania’ veio da ideia de morador das cidades. Num ambiente teoricamente mais horizontal do que o de um feudo, de uma grande propriedade, era preciso construir leis iguais para todos. É suposto que o Estado se baseie no conceito de universalidade de bens e deveres.
No Brasil, com a existência desses grandes senhores, em geral homens e brancos, cria-se uma concepção muito frouxa – esse conceito vem do [historiador] Sérgio Buarque de Holanda – não só do Estado como das instituições, dos partidos e, com isso, da nossa cidadania.
Lá em 1936, Sérgio Buarque de Holanda já falava: essa concepção frouxa fará com que o Brasil não chegue à modernidade. Esse alerta nos ajuda a pensar nesses episódios porque, de fato, parte da população brasileira acredita que está além da lei, muito além, e, portanto, não precisa segui-la.
Me impressiona como no Brasil a negação de uma série de valores que pareciam incontestáveis agora parece ser sinônimo de autenticidade e de privilégio – essa ideia de desconhecer as minorias, de dizer que é mesmo machista, que é mesmo contra gays. Isso virou uma espécie de troféu particular e dentro desse vagalhão vai também a concepção de cidadania. Ou seja, a reação dessa senhora é muito sintomática da maneira como esse tipo de brasileiro de classe média compreende a sua nação. As regras, as limitações servem para os outros, para os pobres. A pessoa não se enxerga dentro desse todo, não faz parte. O conceito de nacionalidade tem muitos problemas, mas um ponto positivo dele é justamente a criação de uma comunidade de afeto, como diz o [cientista político e historiador americano] Benedict Anderson. Essas pessoas que vão aparecendo agora, avalizadas pelo presidente e por esse tipo de governo, não têm qualquer afeto desse tipo.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Vamos ler...


O tratamento brasileiro que eliminou o HIV de um paciente
Trabalho realizado pela Universidade Federal de São Paulo mostra que não há cargas virais no corpo de um voluntário há pelo menos 17 meses
Cesar Gaglioni06 de jul de 2020

Um trabalho realizado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) conseguiu eliminar por completo o vírus HIV de um paciente. O voluntário, cuja identidade não foi revelada publicamente, mostrou o resultado de seus exames para a CNN Brasil. Eles mostram que não há cargas virais em seu corpo há pelo menos 17 meses.
Atualmente, há apenas dois casos de eliminação do HIV reconhecidos pela comunidade científica. A próxima fase do estudo brasileiro está suspensa em razão da pandemia do novo coronavírus. Mais testes serão realizados antes do envio da pesquisa para a validação científica e médica antes do tratamento ser aplicado em larga escala.
Como foi feito o tratamento. E os próximos passos
O estudo teve início em 2013, liderado pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz, pós-doutor especializado na diversidade genética do HIV. A pesquisa contou com 30 voluntários, todos homens, que possuíam carga viral baixa – o que significa que não podiam transmitir o vírus, mesmo convivendo com ele.
“A gente intensificou o tratamento. Usamos três substâncias no estudo, além de criar uma vacina”, disse Diaz à CNN Brasil. A administração dos remédios envolve uma combinação em maior dose de medicamentos que já são usados por pacientes infectados pelo HIV.
Já a vacina experimental foi produzida a partir do DNA dos próprios pacientes, combinando células de defesa e moléculas presentes no vírus de cada um deles.
Os outros pacientes envolvidos nos testes tiveram resultados positivos, mas não no mesmo nível que o paciente que conseguiu eliminar o vírus. Por isso, o infectologista acredita que ainda é cedo para se falar em cura, já que não há garantias de que o HIV não vai voltar a se manifestar.
“Caso o tempo nos mostre que o vírus não voltou, aí sim, poderemos falar em cura” Ricardo Sobhie Diaz infectologista, em entrevista ao jornal Correio Braziliense
O estudo da Unifesp está paralisado em razão da pandemia do novo coronavírus. Quando os trabalhos retornarem, a fase seguinte da pesquisa vai realizar o tratamento com 60 pacientes, incluindo mulheres.
O processo ainda é longo. Será necessário avaliar os resultados dos outros pacientes da primeira fase, escolher os voluntários da segunda fase, administrar as substâncias, aguardar resultados, validá-los e posteriormente levá-los para a análise de autoridades médicas. Não há uma previsão para a aplicação em larga escala do tratamento caso ele se prove um sucesso.
Os outros dois casos de pacientes recuperados
Só há outros dois casos registrados e já aceitos pela comunidade científica de pacientes que se recuperaram do HIV.
O primeiro deles foi o americano Timothy Ray Brown, que passou por um tratamento em Berlim no ano de 2007. O segundo foi o venezuelano Adam Castillejo, que passou por um tratamento em Londres em 2019.
Em ambos os casos, os pacientes foram tratar outras doenças – uma leucemia e um câncer no sistema linfático, respectivamente.
Os dois passaram por transplantes de medula óssea e, devido a uma mutação rara em uma proteína presentes nas células, viram-se livres do HIV, que não conseguia mais se reproduzir. Quando os resultados foram divulgados, os pacientes já estavam saudáveis há meses.
A comunidade científica não se refere aos casos de Brown e Castillejo como “cura”. O termo usado é “remissão a longo prazo”, já que não se sabe exatamente se em algum momento o HIV pode voltar a aparecer.
O HIV no mundo
O HIV foi notado pela primeira vez em 1981, espalhando-se rapidamente pelo mundo nas décadas de 1980 e 1990. Ainda em 2020 a OMS (Organização Mundial da Saúde) considera a aids, doença causada pelo vírus, como uma epidemia em curso.
Os dados mais recentes sobre o HIV no mundo são de 2018. Naquele ano, 37,9 milhões de pessoas estavam convivendo com o vírus. No mesmo ano, cerca de 770 mil mortes foram registradas em decorrência da aids, que ataca o sistema imunológico do paciente.
O Unaids, programa da Organização das Nações Unidas para o combate à aids, tem como meta acabar com a epidemia até 2030. Para isso, eles trabalham com uma meta intitulada 95-95-95.
O objetivo prevê que 95% dos infectados devem ter ciência de que possuem o vírus; destas, 95% devem estar recebendo tratamento e, destas, 95% devem apresentar bons resultados.


segunda-feira, 1 de junho de 2020

Vamos ler...


O que significa, na prática, o adiamento do Enem de 30 a 60 dias
Se mantidos os atuais moldes da prova, feriados e calendários de outros vestibulares podem atrapalhar as possibilidades de adiamento estabelecidas pelo MEC
Por Taís Ilhéu
O Ministério da Educação finalmente anunciou na quarta-feira 20.05.2020 que adiará o Enem 2020. A mudança veio um dia após o Senado votar a favor do adiamento da prova. O próximo passo seria a votação no Congresso, e o MEC já previa uma “derrota”. Antes disso, entidades estudantis, universidades e até influenciadores já vinham cobrando o governo pela mudança, alegando que a permanência da data prejudicaria os estudantes que estão há semanas sem aulas e enfrentando condições precárias de estudos em meio à pandemia do coronavírus. 
O adiamento, no entanto, não trouxe completo alívio e tampouco a certeza de que a prova será realizada em melhores condições. Enquanto alguns países cancelaram seus equivalentes ao Enem, adiaram por data indefinida a fim de avaliar o avanço da pandemia ou substituíram por outras avaliações, o ministro Abraham Weintraub anunciou que, por aqui, a escolha das datas do exame ficará a cargo dos candidatos que farão a prova. A consulta deve ser aberta no final de junho, quando os inscritos poderão votar na página do candidato por um adiamento entre 30 e 60 dias da data inicialmente prevista (1º e 8 de novembro). 
Em nota, o Inep (responsável pela organização do exame) não deu mais informações e, portanto, não é possível saber com exatidão o grau de liberdade que os candidatos terão para escolher entre essas datas. Porém, considerando o histórico do exame de ser realizado aos domingos, o calendário definido até o momento dos grandes vestibulares e outros fatores, avaliamos os possíveis cenários de realização do Enem 2020.
Os entraves do adiamento proposto pelo MEC
Embora o MEC tenha anunciado um adiamento do exame entre 30 e 60 dias da data original, na prática, é quase impossível encontrar uma data adequada dentro deste período– ao menos para os estudantes que pretendam fazer dois outros grandes vestibulares do país ou comemorar as festas de final de ano. Calma, a gente explica.
Caso o Enem se mantenha aos domingos de dois finais de semana consecutivos, como tem sido nas últimas edições, os candidatos poderão escolher entre as seguintes opções de data na consulta: 6 e 13, 13 e 20, e 20 e 27 de dezembro, ou 27 de dezembro e 3 de janeiro. Acontece que quase nenhuma dessas está completamente disponível para a realização das provas. No dia 13 de dezembro acontece a segunda fase do vestibular da Unesp, que seleciona 7.725 estudantes para seus 24 campi espalhados pelo estado de São Paulo. As duas primeiras opções de data ficam, então, inviabilizadas. Já a última opção é ainda mais complicada, uma vez que o primeiro domingo é justamente entre os feriados de Natal e Ano Novo (assim como na penúltima opção) e o outro bate com a data da segunda fase da Fuvest, que ainda não anunciou mudanças no seu calendário.
Isso tudo, é claro, se as outras grandes universidades não anunciarem mudanças nas datas de seus vestibulares – como a Fuvest e Comvest dizem já estar estudando – e o Enem se mantiver no formato dos outros anos. Na semana passada, técnicos do Inep revelaram ao jornal O Estado de S. Paulo que que estão analisando formas de adaptar o exame a um único dia. Nesse caso, e mantido o plano de adiamento já anunciado, o estudante poderia, teoricamente, escolher entre cinco datas: 6, 13, 20 e 27/12 e 3/1. Considerando os empecilhos dos feriados e das segundas fases da Unesp e Fuvest teriam apenas duas opções, 6 e 20 de dezembro. 
No final das contas, restaria pouco mais de um mês de diferença da data inicial, em um cenário em que ainda não é possível precisar se a situação da pandemia será mais amena. “Um mês é insuficiente”, defendeu o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, em entrevista ao UOL. Para a entidade, a mudança deveria ser vinculada ao calendário escolar, ou seja, enquanto não voltarem as aulas, não deveria ser fixada uma data para o Enem. 



terça-feira, 5 de maio de 2020

Conhecendo um pouco de Lygia Fagundes Telles


LYGIA FAGUNDES TELLES nasceu em São Paulo e passou a infância no interior do Estado, onde o pai, o advogado Durval de Azevedo Fagundes, foi promotor público. A mãe, Maria do Rosário (Zazita), era pianista. Voltando a residir com a família em São Paulo, a escritora fez o curso fundamental na Escola Caetano de Campos e em seguida ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, onde se formou. Quando estudante do pré-jurídico cursou a Escola Superior de Educação Física da mesma universidade. Quarta ocupante da Cadeira nº 16, eleita em 24 de outubro de 1985, na sucessão de Pedro Calmon e recebida em 12 de maio de 1987 pelo acadêmico Eduardo Portella.



Foi na França, durante a Segunda Grande Guerra. Um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e, na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta a casa.
A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava a correr todo animado atrás dos mais íntimos para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe.
Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao seu posto de espera.
O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando àquela hora ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias. Todos os dias.
Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina, com o focinho sempre voltado para aquela direção.


sexta-feira, 17 de abril de 2020

Interessante para o trabalho, mas também para estudos...


Home office: 5 dicas para ter foco e ser produtivo trabalhando de casa
Compilamos dicas publicadas na Harvard Business Review para uma rotina profissional com mais entregas e menos procrastinação

Revista Carta Capital

A facilidade com que se dissemina o vírus Covid-19 (novo coronavírus), causador da atual pandemia, fez com que muitas empresas adotassem o trabalho por home office. Assim, efetiva-se com mais homogeneidade a distância social, um dos fatores que pode ajudar a desacelerar a dissipação do vírus.
O esquema por home office, no entanto, não vem sem desafios. De um lado, além dos benefícios frente aos riscos de saúde, o profissional não precisa sair de casa, evita gastar dinheiro com transporte, se preocupar com o trânsito ou em gastar seu tempo com conversas que distraem. De outro: pode ser mais fácil procrastinar e perder o foco ao trabalhar sem a “supervisão” dos colegas ou muito perto de objetos de lazer ou descanso. 
Nesse contexto, uma coisa é certa: o home office exige disciplina. Em um artigo para a Harvard Business Review, a coach Elizabeth Grace Saunders, que tem mais de uma década de experiência trabalhando de casa, oferece algumas dicas para tornar essa experiência mais agradável e produtiva. Em outro artigo para a mesma publicação, Carolyn O’Hara, escritora e editora, destaca o que é imprescindível para ser eficiente ao fazer home office. Compilamos as melhores dicas de ambas, confira!
Como para manter o foco em trabalho home office
Dica 1: Estabeleça um horário de trabalho
Não é só porque você pode começar a qualquer hora que deva começar a qualquer hora: isso torna a linha que separa seu tempo pessoal do profissional ainda mais difícil de enxergar.
“Eu me perguntava: se eu estivesse em um escritório, faria essa tarefa durante o dia? Se a resposta fosse não, sabia que precisava fazer essa atividade antes ou depois do horário de trabalho”, escreve Saunders.
Lembre-se que cada um é diferente, então se para você uma ida ao museu ou um café à tarde com um amigo não atrapalham seu rendimento, não precisa ir ao extremo de se manter 100% focado dentro de uma dada faixa de horário.
O importante é entender quais são os obstáculos para sua produtividade e então estabelecer quais deles você não vai fazer durante o tempo de trabalho.
Dica 2: Estruture seu dia
Quando você chega num escritório, é fácil imitar o que os outros estão fazendo e começar logo a trabalhar. Se seu escritório é sua casa, é útil ter um guia.
“Maximize a eficácia de seu tempo em casa ao estruturá-lo como um dia típico de trabalho”, sugere Saunders. “Definir uma programação não apenas dá estrutura para o dia, mas também ajuda você a se manter motivado”, acrescenta O`Hara.
Isso pode se dar de diversas maneiras, de reservar blocos de tempo para reuniões, ligações, determinadas tarefas ou pensamento criativo a blecautes de e-mail, aqueles períodos em que você está proibido de se distrair.
Para a escritora O`Hara, leva algumas semanas para entender qual é seu melhor ritmo de trabalho em casa. Vale, para ajudar, determinar expectativas realistas do que se quer realizar durante um dia.
Outra dica é fazer uma lista das tarefas do dia – se fizer na noite anterior, melhor ainda – e encaixá-las dentro de certos períodos de tempo. Assim, você garante que não está esquecendo de nada importante.
Dica 3: Faça pausas regulares
Pode ser tentador trabalhar sem parar, principalmente se você estiver tentando provar que é produtivo em casa. Mas é vital fazer intervalos regulares – e até melhor para a produtividade, explica O`Hara. “Pesquisadores de uma empresa de mídia social rastrearam recentemente os hábitos de seus funcionários mais produtivos. Eles descobriram que os melhores trabalhadores normalmente trabalhavam intensamente por cerca de 52 minutos e depois faziam um intervalo de 17 minutos.”
A explicação, em partes, é que essas pausas têm efeito “restaurador”. Pode ser tão simples quanto olhar pela janela ou ler o jornal, qualquer coisa que dê ao seu cérebro a oportunidade de se recuperar brevemente.
Dica 4: Estabeleça limites com os outros
“Quando você trabalha em casa, é fácil deixar a sua vida profissional se confundir com sua vida pessoal”, destaca O`Hara. “Se você estabelece expectativas e se atém a elas – por exemplo, realmente parar de trabalhar às 17h –, as pessoas entendem seus limites ao invés de assumirem que você está disponível”, escreve a coach, por sua vez.
Além disso, não é só porque você está de home office que está de folga ou disponível para conversar, e seus amigos e familiares precisam saber disso. Ter um espaço específico para trabalhar de casa, como escritório ou quarto em que é possível fechar a porta, também ajuda nessa divisão.
Em outro ponto, como a visibilidade pode ser um fator importante para crescer na carreira, faça um “check-in” sempre que possível com colegas e superiores. Diga às pessoas o que você está fazendo, o que cumpriu no dia, etc.
Dica 5: Mantenha-se conectado
“O isolamento prolongado pode levar a uma menor produtividade e motivação. Portanto, se você não tem um emprego que exija horário de trabalho diário com outras pessoas, é necessário fazer um esforço extra para permanecer conectado”, destaca O`Hara.
Para ajudar, use as mídias sociais para falar com amigos e o LinkedIn para aquecer sua rede de contatos profissionais.
Para lembrar!
A escritora O`Hara resume o principal a se ter em mente (e praticar) durante o período de home office.
Faça:
·         Um cronograma de trabalho, informe-o e cumpra-o
·         Concentre-se no que você realizou no final de cada dia para se manter motivado
·         Crie um espaço de trabalho dedicado e informe sua família que você não está disponível durante o horário de trabalho
Não faça:
·         Tente trabalhar o dia todo sem intervalos regulares – sua produtividade e motivação sofrerão
·         Isole-se – faça o possível para conectar-se com os outros
·         Negligencie o check-in regularmente com colegas e chefes – é importante dar visibilidade sobre si, mesmo fora do escritório

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Curiosidades!


20 profissões em alta durante a pandemia do coronavírus
É uma crise mundial, há demissões em massa por causa da covid-19. Mas isso não quer dizer que não existem oportunidades por aí!
Juliana Morales

Com a pandemia global de covid-19, muitos profissionais estão perdendo seus empregos ou enfrentando dificuldades em encontrar um novo trabalho. Por outro lado, vários cargos de trabalho estão se abrindo para lidar com a crise.
O Glassdoor, site de emprego e recrutamento, identificou 20 deles, com base no número de novas vagas publicadas na plataforma nas últimas semanas. Os números traduzem a elevada demanda por cargos ligados à área da saúde, como médicos, enfermeiros, farmacêuticos e técnicos de laboratório.
Os setores de logística e comércio também aparecem na lista, bem como trabalhos que podem ser realizados de maneira remota, como atendimento ao cliente e telemarketing. Com diversas cidades cumprindo quarentena, também cresceu a demanda por entregadores e motoboys.
O levantamento mostra funções que estão em alta agora e refletem o cenário atual, mas também pode ser uma oportunidade para quem está decidindo qual carreira seguir conhecer e pesquisar mais sobre essas profissões e, quem sabe, se identificar.
Abaixo, a lista de carreiras, com o número de vagas no Glassdoor e conteúdos relacionados a algumas das principais áreas citadas. Confira!


1. Médicos
Número de vagas: 12.514
2. Atendimento ao Cliente
Número de vagas: 9.815
3. Enfermeiro
Número de vagas: 2.120
4. Técnico em Enfermagem
Número de vagas: 1.506
5. Auxiliar de Logística
Número de vagas: 1.192
6. Farmacêutico
Número de vagas: 963
7. Operador de Caixa de Loja
Número de vagas: 919
8. Estoquista
Número de vagas: 844
9. Operador de Telemarketing
Número de vagas: 829
10. Auxiliar de Enfermagem
Número de vagas: 829
11. Analista de Logística
Número de vagas: 792
12. Assistente de Logística
Número de vagas: 533
13. Técnico de Laboratório
Número de vagas: 464
14. Líder de Logística
Número de vagas: 432
15. Operador de Loja
Número de vagas: 332
16. Supervisor de Logística
Número de vagas: 235
17. Entregador
Número de vagas: 219
18. Repositor de Mercadorias
Número de vagas: 149
19. Psicólogo Organizacional
Número de vagas: 134
20. Motoboy
Número de vagas: 128



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